segunda-feira, 21 de junho de 2010

Procura-se: algo

Ela voltou. Ela, a vontade de escrever. Dessa vez, porém, não é feroz. Ela fica a me cutucar durante o dia, com finas agulhas que ora espetam minha mente, ora furam meu coração. Paulatinamente, em pequenas doses de agonia, ela repete baixo em meus ouvidos "Ainda há muito para se falar".

Concordo com ela. Um rápido olhar pelo mundo deixa claro que ainda existem muitos problemas a serem resolvidos, muitas questões a serem discutidas. Ainda existem muitas musas, muita injustiça, muita dor e muita beleza que podem nos inspirar, pobres escritores, poetas, músicos, pintores, fotógrafos... Nós, que temos belos e assustadores pensamentos, e usamos a arte como expressão do desabafo.

Contudo, o problema agora é comigo. Tenho minha velha amiga Vontade, e a inspiração está aí para todos. Quero falar do mundo, das dores da vida, da juventude e da velhice. Mas não encontro as palavras certas, não consigo organizá-las em frases, tampouco em parágrafos. Escrevo e reescrevo, e o melhor resultado não passa de uma reprodução do que acontece em minha mente: um turvo turbilhão.

Eu mesma não entendo o que se passa na minha cabeça. Por isso, acho que só poderei expressar o que sinto quando a nuvem negra de palavras, imagens e versos - aquela que vejo quando fecho os olhos - se organizar na minha mente. Preciso encontrar as conjunções certas.

Já que, de forma agonizante, não consigo me expressar, deixo aqui uma parte da nuvem. Uma parte que ironicamente, chamei de inspiração.

E repito as palavras de Drummond: O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

2 comentários:

  1. amei. cara, você escreve bem. me identifiquei com esse post *-* to te seguindo, beygos

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  2. o kadar çok şey yazmışsınki tam anlıyamadım.ama bloğun beatifuul:)

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